Vamos conhecer a arte naïf?

Modalidade das artes visuais se caracteriza por representações instintivas da natureza e elementos simples, além da ausência de técnicas usuais

Reprodução fotográfica Pedro Oswaldo Cruz

A Arte naïf é um termo utilizado no vocabulário artístico, em geral, como sinônimo de arte ingênua, original e/ou instintiva. Ela é produzida por autodidatas que não têm formação culta no campo das artes.

A arte naïf se caracteriza pela ausência das técnicas usuais de representação (uso científico da perspectiva, formas convencionais de composição e de utilização das cores). Os tons brilhantes e alegres, a simplificação dos elementos decorativos, o gosto pela descrição minuciosa e a visão idealizada da natureza são alguns dos traços considerados típicos dessa modalidade artística.

Surgimento

A história da pintura naïf está ligada ao Salon des Independents (Salão dos Independentes), de 1886, em Paris, na França, com a exibição de trabalhos de Henri Rousseau (1844 – 1910). Conhecido como “Le Douanier”, obteve reconhecimento imediato dos artistas de vanguarda do período, como Odilon Redon, Paul Gauguin, Robert Delaunay, Guillaume Apollinaire e Pablo Picasso. Dessa forma, tornou-se o mais célebre dos pintores naïfs.

Com trajetória que passa por um período no Exército e um posto na Alfândega de Paris, de onde vem o apelido “Le Douanier” (funcionário da alfândega), Rousseau dedicou-se à pintura como hobby. Sem formação especializada no gênero, foi responsável por obras que mostravam minuciosamente, de modo inédito, uma realidade ao mesmo tempo natural e fantasiosa, como em “A Encantadora de Serpentes”, de 1907.

A primeira exposição de arte naïf em Paris aconteceu em 1928, reunindo obras de Rousseau e outros artistas. Mais tarde, o Museu de Arte Moderna de Paris dedica uma de suas salas exclusivamente à produção naïf. No século XX, esse tipo de manifestação artística foi reconhecido como uma modalidade específica e se desenvolveu no mundo todo, sobretudo nos Estados Unidos, na ex-Iugoslávia e no Haiti.

Arte naïf no Brasil

Ao longo dos anos, a arte naïf desenhou um circuito próprio e conta, atualmente, com museus e galerias especializados em todo o mundo. No Brasil, especificamente, uma série de artistas aparece diretamente ligada à pintura naïf, como Cardosinho (1861 – 1947), Luís Soares (1875 – 1948), Heitor dos Prazeres (1898 – 1966), José Antônio da Silva (1909 – 1996) e outros.

Entre eles, destaca-se a pintora Djanira (1914 – 1979). Aluna do Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro, nos 50 foi artista consagrada e uma das lideranças do Salão Preto e Branco – mostra de arte realizada na capital fluminense.

Foto de capa reprodução, José Antônio da Silva. São Jorge e o dragão, 1949, Acervo Masp:
MASP

Fonte da matéria: Vamos conhecer a arte naïf? – GOV BR

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